sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Mito

    Eu já andei de patins, cai de bicicleta, fiz minha irmã parar de chorar, dormi chupando o dedo, tirei casquinha do nariz, conheci a mulher mais perfeita deste mundo “minha mãe”, me despedi da mulher mais perfeita deste mundo “minha mãe”,

Andei pela praça, assisti o por do sol sobre o mar, construí castelos de area, caminhei pela chuva, me sequei no sol, peguei o metro lotado, subi no ônibus vazio, caminhei com o cachorro na rua, comprei coisas na vinte e cinco de março, descansei sentado.

E em todas as ocasiões ou eu reclamei, chorei, sorri, fiz birra, calei, cantei, menti e mesmo assim ainda não havia me deparado com a real fatalidade.

Mesmo em momentos de pranto ou devaneios, ela sempre esteve ali, comigo ao meu lado, batendo em minha cara.
Em noites de abandono, desespero, escassez, desilusão, ao meu redor um sopro de ternura me dava um pgUp.

Mesmo com meus sorrisos falsos ela se encantou me encarou e sobre minhas costas largas ela se apoiou.

Sobre minhas maiores dúvidas ela se camuflou, se disfarçando de engano.

E como eu, um garoto que se julga esperto, vivido, calejado pelas pedradas, ruas de terra e morros nunca alcançados, não reparei que na minha porta ela batia? muitas vezes me culpei e  castiguei pelos meus erros, tão banais, tão humanos.

Já fiquei imaginando como as pessoas me julgam, o que elas falam por traz de minhas costas, o que elas vêem em mim, e na verdade isso tudo agora não passou de momentos desperdiçados de minha vida.

Como fui tolo em gastar tantos segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, tentando ser alguém como eles, alguém que eles aceitassem, um ser que tanto passo a desprezar.

E na verdade o meu maior medo era o de virar a chave e deixa la entrar, aceitar quem sou, quem me torno e quem passo a ser daqui pra frente.

Com isso reparo que aos poucos a fechadura foi se abrindo, a porta se escancarando, e minha mascara se modificando. Percebi que o eu gosto é sim diferente, incomum, mas é o que eu sou e quero a cada dia que se passa ser. 

Não me culpo mais por não tela deixado entrar, e passo a aceitar que na verdade eu sou uma pessoa como qualquer outra, uma borboleta, que mesmo em seu casulo escuro, o qual ela mesmo construiu, procura incessantemente a saída para o sol, para a vida nova, para o recomeço de tudo que ela já viveu, sentiu, sofreu, mas com novos olhos e vontades.

Portanto o meu novo desafio, é perceber que tudo que eu passei e senti, não foi em vão, pois hoje me orgulho de tudo que fiz ate agora, sem arrependimentos e magoas, de ninguém que me maltratou, humilhou, desprezou, ignorou ou vice e versa. Pois aqui esta ela, comigo, ao meu lado, hoje e sempre, e se isso tudo que eu vivi não for o suficiente para me considerar uma pessoa FELIZ. Deus sabe que eu tentei.  

 

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